
Pesquisadores britânicos e a comunidade científica global apostam que a medicação da classe dos GLP-1, como Mounjaro, Wegovy e Ozempic, é uma forte aliada no aumento da fertilidade. O tema foi revelado, agora em junho, durante congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos (Endo 2026). Segundo os estudiosos, o efeito nas mulheres não é direto, ou seja, os fármacos não estimulam os ovários por si só, porém ocorre a perda de peso e a melhora metabólica, restaurando a ovulação e o equilíbrio hormonal. Os homens que usam esses medicamentos, após emagrecerem, ganham mais qualidade no esperma, os níveis naturais de testosterona se elevam e os distúrbios hormonais causados pela obesidade são corrigidos.
Os GLP-1 fazem parte de uma classe de medicamentos que imitam a ação do hormônio natural GLP-1 e atuam no controle do diabetes tipo 2 e no tratamento da obesidade. Eles reduzem o apetite, aumentam a saciedade e estimulam a produção de insulina. Esses remédios funcionam no organismo imitando o hormônio GLP-1, que é produzido naturalmente pelo intestino após as refeições.
Segundo Dhianah Santini, endocrinologista e professora, não há nenhuma evidência até o momento de que os agonistas de GLP-1, mesmo quando utilizados por muitos anos, afetam a fertilidade masculina. "Por outro lado, temos dados mostrando melhora das chances de mulheres engravidarem, pois a obesidade também está muito associada à infertilidade, doenças inflamatórias, endometriose, entre outras condições", comenta a especialista.
"Muitas pacientes com síndrome dos ovários policísticos e resistência à insulina tinham dificuldade para engravidar e, à medida que começaram a emagrecer, observaram melhora. Por conta disso, surgiu um termo que é utilizado recentemente, como os bebês do Ozempic porque o uso do medicamento nos últimos anos vem aumentando a fertilidade em algumas mulheres", informa Dhianah Santini.
"Os agonistas do GLP-1 representam um dos maiores avanços da medicina no tratamento da obesidade e do diabetes. Mas o melhor resultado não acontece quando o paciente apenas toma a medicação. Ele acontece quando o medicamento é utilizado dentro de um programa estruturado de mudança de estilo de vida, com acompanhamento médico, nutricional e prática regular de atividade física", afirma a endocrinologista.
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