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Praga atinge 90% da produção de caju em Santo Antônio de Lisboa
Em 30/07/2026 por Jesika Mayara

(Foto: Ascom/Sada)

A infestação da mosca-branca do cajueiro tem causado prejuízos aos produtores rurais de Santo Antônio de Lisboa, no semiárido piauiense. Segundo a Secretaria Municipal de Agricultura, a praga já atinge cerca de 90% da produção de caju no município e foi registrada em todos os povoados da cidade.

Além de Santo Antônio de Lisboa, a infestação também já alcança áreas dos municípios de Francisco Santos e Monsenhor Hipólito, ampliando a preocupação com os impactos sobre a cajucultura na região.

Diante do avanço da praga, a Secretaria da Assistência Técnica e Defesa Agropecuária (Sada) realizou, na última segunda-feira (27), uma reunião com a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) e a Secretaria Municipal de Agricultura de Santo Antônio de Lisboa para definir um plano integrado de enfrentamento.

O encontro reuniu técnicos dos órgãos para discutir estratégias de monitoramento, manejo e orientação aos produtores rurais. O objetivo é conter a disseminação da mosca-branca e reduzir os prejuízos à produção de caju e à apicultura, atividade que também sofre os efeitos da infestação.

O secretário da Sada, João Rodrigues, afirmou que o cenário exige uma atuação conjunta entre o Estado e os municípios.

"Estamos traçando as linhas mestras para a atuação conjunta da Sada, da Adapi e da Prefeitura. É um problema que já merece uma preocupação ainda maior, porque temos informações de uma queda significativa na área cultivada de caju. Além da importância econômica da cajucultura, a atividade também está diretamente ligada à apicultura, que igualmente sofre os impactos da praga. Nosso objetivo é desenvolver uma ação organizada, sustentável e baseada nas orientações técnicas", destacou.

João Rodrigues alertou que, sem medidas de controle, a infestação pode comprometer a produção de caju na região e provocar impactos econômicos para as cidades produtoras.

"Se continuar assim, nós vamos ter um colapso da cultura do caju, que é uma importante fonte de renda para aqueles municípios. Então, é uma preocupação do Governo. Já tratamos isso anteriormente, mas, acima de tudo, temos que deixar implantada a cultura do manejo e do cuidado preventivo, para que não precisemos combater a praga depois que ela já estiver instalada", afirmou.

O secretário municipal de Agricultura de Santo Antônio de Lisboa, Ualekson Almeida, disse que a parceria entre os órgãos é fundamental para conter o avanço da praga.

"A mosca-branca vem dizimando a produção de caju em nosso município e avança rapidamente para outras regiões. Ficamos muito satisfeitos em contar com o apoio da Sada e da Adapi nessa luta. A partir desta reunião, definimos metas para enfrentar esse problema e proteger nossos produtores", ressaltou. 

Já o gerente de Defesa Vegetal da Adapi, Ozael Valério, explicou que o órgão será responsável por coordenar as ações fitossanitárias e orientar os produtores.

"A Adapi participará do monitoramento das áreas afetadas, da educação sanitária e da adoção das medidas necessárias para controlar a praga. Nosso objetivo é evitar o aumento dos prejuízos, reduzir a mortalidade das plantas e impedir a expansão da infestação para outras áreas produtoras", disse. 

Plano de ação
Conforme o planejamento definido entre os órgãos, a Adapi ficará responsável pela coordenação das ações fitossanitárias, fiscalização e educação sanitária. A Sada coordenará a assistência técnica e a mobilização das equipes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), enquanto a Prefeitura de Santo Antônio de Lisboa fará o cadastramento dos pomares, oferecerá apoio logístico e atuará na mobilização dos produtores.

A expectativa é que o trabalho conjunto fortaleça o monitoramento da praga, incentive o manejo adequado das lavouras e reduza os impactos econômicos sobre a produção de caju no semiárido piauiense.

Entenda a praga
De acordo com estudos da Embrapa, a mosca-branca do cajueiro está presente no Piauí desde a década de 1970. No entanto, a ampliação das áreas cultivadas e a implantação de pomares mais adensados favoreceram a proliferação do inseto.

As infestações costumam começar em plantas isoladas e se espalham rapidamente pela ação dos ventos, especialmente durante o período seco, quando as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da praga.

Segundo a Embrapa, em casos de infestação severa e sem controle, as perdas de produtividade podem chegar a 90%. Entre os principais danos estão o amarelecimento e a queda precoce das folhas, a redução do crescimento das plantas, o comprometimento da floração e da frutificação, além da diminuição da qualidade das castanhas produzidas.

 

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