Saúde
Canetas emagrecedoras: entre a promessa de resultados rápidos e os riscos do uso sem acompanhamento
Em 30/04/2026 por Jesika Mayara

(Foto: Reprodução)

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem ganhado popularidade nos últimos anos, impulsionado principalmente pelas redes sociais e pela busca por resultados rápidos. Embora esses medicamentos tenham respaldo científico e indicação médica para casos específicos, o uso indiscriminado acende um alerta entre especialistas.

Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que a obesidade atinge mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, sendo considerada uma epidemia global. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, mais da metade da população adulta está com sobrepeso, o que ajuda a explicar a crescente procura por soluções medicamentosas.

A endocrinologista Angela Maria Leal ressalta que o primeiro passo é compreender o papel real dessas medicações. “Informação de qualidade gera consciência. O nosso objetivo aqui hoje é isso: esclarecer a população sobre os reais riscos relacionados a essas medicações”, afirma. Ela destaca que as chamadas canetas são medicamentos aprovados, com indicação específica, e não soluções universais para emagrecimento.

Criadas originalmente para controle da glicemia, essas medicações demonstraram um efeito adicional importante: a perda de peso. A partir disso, passaram a ser estudadas também para o tratamento da obesidade, especialmente em pacientes com fatores de risco associados. Hoje, são indicadas para pessoas com IMC igual ou superior a 30, ou acima de 27 quando há comorbidades, como hipertensão e diabetes.

A médica faz questão de reforçar que a obesidade não pode ser tratada de forma simplista. “Obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Quando se fala do tratamento, não é só sobre comer menos e se exercitar mais”, explica. Ela pontua que fatores hormonais, emocionais, qualidade do sono e até o nível de estresse interferem diretamente no metabolismo e no comportamento alimentar.

Nesse contexto, o uso das canetas pode ser uma ferramenta eficaz, mas nunca isolada. A especialista destaca que o tratamento precisa envolver mudanças no estilo de vida e acompanhamento contínuo. Sem isso, o risco de reganho de peso é alto, um reflexo de mecanismos biológicos que fazem o corpo tentar retornar ao peso anterior.

“O sucesso do tratamento não é apenas perder peso, mas manter o peso perdido”, afirma Angela. Segundo ela, o organismo reage à perda de peso reduzindo o metabolismo e aumentando a sensação de fome, o que exige estratégia e acompanhamento a longo prazo.

Efeitos colaterais e riscos invisíveis
Apesar da eficácia, o uso dessas medicações não está livre de efeitos adversos. Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desidratação estão entre os mais comuns. Em situações mais graves, podem ocorrer complicações como a pancreatite.

A endocrinologista faz um alerta direto sobre o uso sem supervisão: “O uso indiscriminado dessas medicações é preocupante e pode colocar a vida em risco”. Ela também chama atenção para um problema crescente: a aquisição de medicamentos de procedência desconhecida, muitas vezes vendidos de forma irregular.

Outro ponto crítico é a interrupção precoce do tratamento. Sem acompanhamento, muitos pacientes abandonam o uso após atingir o peso desejado, o que pode levar à recuperação rápida dos quilos perdidos.

 

 

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