Picos(PI), 25 de Abril de 2026

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UFPI identifica fóssil de preguiça-gigante que viveu há 33 mil anos no Piauí

25/04/2026 - Redação

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P40G-IMG-ebedb220032a0be8df.jpeg (Foto: Reprodução/UFPI)
P40G-IMG-ebedb220032a0be8df.jpeg (Foto: Reprodução/UFPI)

Uma pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI) identificou um fóssil de preguiça-gigante no município de Arraial, a cerca de 220 km de Teresina. O animal viveu há cerca de 33 mil anos, segundo análise feita por meio de datação científica.

O estudo foi desenvolvido na dissertação de mestrado da pesquisadora Mariana Miranda de Sousa, orientada pelo professor Daniel Fortier, do campus de Floriano. A pesquisa analisou fósseis da espécie Eremotherium laurillardi, um animal de grande porte que habitou as Américas durante o período Pleistoceno.

Descoberta amplia mapa da megafauna no Piauí

Os fósseis desse tipo são mais comuns no sudeste do estado, especialmente na região da Serra da Capivara. Por isso, o registro em Arraial é considerado incomum e importante para a ciência.

Segundo a pesquisadora, o achado amplia o entendimento sobre a presença desses animais em áreas ainda pouco estudadas.

“A gente comumente encontra esses fósseis no sudeste piauiense. O registro em Arraial, no centro-norte, é diferenciado e tem grande relevância para entender a distribuição da espécie”, explicou.

Como os cientistas descobriram a idade do fóssil

Para identificar a idade do animal, os pesquisadores utilizaram a técnica de datação por carbono-14, um método científico que permite estimar há quanto tempo um organismo viveu.

O resultado indicou que a preguiça-gigante viveu há aproximadamente 33 mil anos, período anterior à extinção da megafauna nas Américas.

Parte das análises foi realizada em uma universidade no estado da Geórgia, nos Estados Unidos, devido à necessidade de equipamentos específicos.

Como era o ambiente no Piauí há milhares de anos

Além da idade, o estudo também investigou como era o ambiente em que o animal vivia.

As análises isotópicas mostraram que a preguiça-gigante tinha uma alimentação baseada principalmente em gramíneas, indicando uma dieta rica em plantas típicas de clima quente.

Ao mesmo tempo, os dados revelaram que o ambiente da época era diferente do atual.

“Conseguimos identificar que era um cenário mais frio e úmido, com maior disponibilidade de água”, afirmou a pesquisadora.

Tecnologia ajuda a reconstruir o passado

Pesquisadores em campo 

A pesquisa também utilizou modelagem de nicho ecológico, uma ferramenta computacional que permite estimar onde determinada espécie poderia viver com base em condições ambientais.

O modelo foi construído a partir de 97 registros da espécie, sendo 37 com datação confirmada. A técnica ajuda a entender como esses animais se distribuíam ao longo do território.

De acordo com o orientador Daniel Fortier, o trabalho contribui para preencher lacunas no conhecimento sobre a megafauna no Nordeste.

“A principal contribuição é ampliar o conhecimento sobre a ocorrência dessas espécies em regiões ainda pouco estudadas, como o centro-norte do Piauí”, destacou.

A pesquisa reforça a importância de explorar novas áreas fora dos sítios já conhecidos e ajuda a reconstruir o cenário ambiental do Piauí há milhares de anos.

Além disso, o estudo contribui para entender como mudanças climáticas e ambientais podem ter influenciado a vida e a extinção de grandes animais no passado.

 

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