27/04/2026 - Jesika Mayara
(Foto: Reprodução/Hilab)
(Foto: Reprodução/Hilab)
Silenciosa, comum e muitas vezes negligenciada, a hipertensão arterial segue como um dos principais gatilhos para duas das doenças que mais matam no país: infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Em 2025, no Piauí, foram registrados 5.340 óbitos por doenças cardiovasculares, sendo 2.444 por infartos, 2.004 por AVC e 892 por insuficiência cardíaca.
No mesmo ano, o Brasil registrou 156.981 mortes por infarto e 130.963 mil por AVC, segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde (DATASUS). Os dados incluem diferentes tipos de eventos cardiovasculares e reforçam o tamanho do problema: foram ainda 64.109 óbitos por insuficiência cardíaca.
Para 2026, os números ainda estão em consolidação, mas já indicam a continuidade do cenário preocupante. Total de 352.053 óbitos por infarto, AVC e insuficiência cardíaca.
Hipertensão é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares
A hipertensão é considerada uma doença silenciosa justamente porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas. É um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares no mundo, como infarto e AVC.
“Ela pode causar lesões progressivas nos órgãos-alvo, como coração e cérebro, mesmo antes do surgimento de sintomas. Infelizmente, muitos pacientes desconhecem que são hipertensos e acabam recebendo o diagnóstico apenas após um evento mais grave”, alerta o intensivista Fábio Basílio.
No entanto, a hipertensão arterial é considerada um fator de risco modificável. “Quando identificada precocemente e devidamente acompanhada, é possível reduzir de forma significativa o risco de complicações ao longo do tempo, mas não deve ser subestimada justamente por seu caráter silencioso”, disse.
Para o especialista, a identificação precoce é uma das estratégias mais importantes para prevenir eventos cardiovasculares graves e reduzir mortes evitáveis. “Quando o paciente descobre a hipertensão tardiamente, muitas vezes já existe algum grau de comprometimento cardiovascular. Por isso, o diagnóstico precoce faz toda a diferença”, falou.
Como identificar um AVC precoce?
O SAMU destaca a escala de Cincinatti utilizada como uma ferramenta de reconhecimento precoce. “É importante sempre pedir para a pessoa sorrir, levantar os braços e falar. Qualquer sintoma novo como assimetria na face durante um sorriso, perda de força em um dos braços ou fala enrolada, o indivíduo deverá procurar atendimento de urgência”, alerta o doutor.
Quando começar a tratar
As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, atualizadas em 2025 por sociedades médicas (Cardiologia, Hipertensão e Nefrologia), reforçam que níveis de pressão arterial acima de 120 por 80 mmHg já são associadas ao aumento do risco cardiovascular, inclusive em indivíduos aparentemente saudáveis.
“A aferição da pressão arterial é fundamental, mesmo na ausência de sintomas. A prevenção começa com acompanhamento, mudança de hábitos e controle dos fatores de risco”, explica Fábio Basílio.
AVC: fatores de risco e sinais de alerta
O AVC está diretamente associado a fatores como envelhecimento, hipertensão, diabetes, tabagismo, sedentarismo, estresse, colesterol elevado e histórico familiar. Pessoas acima de 55 anos têm maior risco, especialmente quando acumulam essas condições.
“É uma soma de fatores. A hipertensão, sozinha, já é um risco importante, mas quando combinada com outros hábitos e doenças, o perigo aumenta exponencialmente”, destaca Fábio.
Os sinais de alerta exigem atenção imediata:
alteração no equilíbrio e coordenação;
dificuldade para falar ou compreender;
alteração na visão; dor de cabeça súbita e intensa;
e fraqueza ou paralisia em um lado do corpo.
“Diante de qualquer um desses sintomas, não se deve esperar. O tempo de resposta é determinante para evitar sequelas e até a morte”, reforça o intensivista.
Tipos de AVC :
Isquêmico: causado pela obstrução de uma artéria, impedindo a chegada de oxigênio ao cérebro (cerca de 85% dos casos)
Hemorrágico: ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, com sangramento (mais grave e com maior risco de morte)
Portal O Dia